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sexta-feira, 6 de novembro de 2009




TURVO  ONTEM

pessoas passam ao meu redor
o mandacarú flora
a ponte tão velha e esquecida
um balanço que o vento reconta

naquela esquina fogos espoucaram
carros de latinhas do leite nestlé
me lembro de tudo como se fosse hoje
subo no pé de cajarana e me farto

a igreja aos domingos e seus pecados
relembro serpentina e o perfume da lança
conto postes, quintais, pirulitos e bonsais
ao meu redor a saudade das praias da  infância

o fogo da fogueira aquece a brisa do mar
uma rua escura passa ao largo da foto
vacas e bois descansam na sombra do cajueiro
o estralo da pipoca na biloca que alcança o buraco

a descida que a ladeira oferece aos meus olhos
já não me sinto sentado na cadeira da escola
no parque os brinquedos são tão únicos e sérios
já não escuto a poesia que a vida da cidade padece.

Cgurgel



PÚS

sangro
do sangue
que
há
em mim

uma torrente
de
suor
e dor

uma permanente
ferida
que inunda
o coração do mundo.

Cgurgel
ASHES AND SNOW -  "Feather to Fire"



TEMPO

o mundo
tá
lá
fora
oco

tão vazio
de novidades

só o fogo
que escorre
pelas suas pálpebras.

Cgurgel



ALDEIA

transito
por entre
luvas
e lutas

transito
por entre
furacões
e balões

por entre
a noite
e o dia que há de vir

transito
por entre minha alma
e a calma do rio

exatamente
igual
quando deixei
todos os meus pertences
ao sabor
do meu próprio destino.

Cgurgel



LASSIDÃO

feérica forca
que me abate

como uma cordilheira
de lampejos e cadeados

e de tão
intransponível sufoco
durmo

por sobre
flores
e desvios

tão calmo
como o mar
que me tange
e me entrego.

Cgurgel



FERMENTO

aí
que mais furtar
de brisas e furacões?

como um lampejo
de ossos e orifícios

lúdico lugar
que embriaga
pele e olhar

assim como
pousando
no luar
que amanhece

trânsito
de perdição
e brinquedo de criança.

Cgurgel