terça-feira, 29 de setembro de 2009
ESPARTILHO
tudo
tão em vão
como se fosse um vulcão
tudo tá
sem ser são
tudo vai indo
quase findo
assim
feito um tufão
tudo assim
como um bufão
que fala
das sobras de um sermão
que rasga, grasna e pasta
assim tá
tudo uma vazão
qual um
passado perfeito
um sossego, peito
daquela embarcação
tá tudo assim
um varejão
que leva imbora
as cordas de um espaço
o canto dos pássaros
as frestas de um curativo
e o espartilho de um perdão.
Cgurgel
segunda-feira, 28 de setembro de 2009
ATOS DOS OUTROS
até quando
a soberba
implodirá casarões recheados
de pílulas e válvulas cibernéticas?
até quando
saberei rezar
e pedir clemência
pelos atos dos outros?
até quando
a barbárie
devassará quarteirões
e dicionários mortos?
até quando
os filisteus
de uma hóstia sem fim
abrigarão nos seus colders
a fé
que o resto do mundo procura?
Cgurgel
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